organização doméstica


Tanto as «donas-de-casa», rotulo antigo que catalogava as que mais tarde se passaram a chamar «domésticas», e que hoje em dia se intitulam «abdiquei da carreira profissional para cuidar dos filhos»; como as «mulheres-trabalhadoras» ou «mulheres de dupla função na sociedade», sofrem de um constante apoquentamento no seu dia-a-dia. Excepto as que passaram as funções de gestão caseira para outra pessoa, seja ela intitulada de «governanta», «empregada doméstica» ou refinadamente: «gestora de tarefas domésticas». E esse apoquentamento deriva do simples facto de terem que planear ou preparar 14 refeições por semana. O que equivale a 420 refeições por mês, ou seja, mais de cinco mil por ano. UAU! (nem eu própria me tinha apercebido destes números alguma vez…).
Enfim, tendo umas mais criatividade do que outras, recorrendo umas mais a livros de culinária que outras, a verdade é que nem sempre há inspiração e motivação para planear refeições equilibradas, saudáveis, apetecíveis e variadas.
O que acaba por acontecer é que cada casa tem os seus próprios «pratos da casa», que se repetem mais do que uma vez por mês, ou até semanalmente, surgindo depois outros que entram na ementa, mas que depressa de lá saem, porque não fazem o género dos comensais, dão demasiado trabalho, ou qualquer outra razão, por vezes até inexplicável.
Outro dos desassossegos que nos aniquila também, é a questão da alternância entre os alimentos. Há quem tenha a regra dos almoços carne/ jantares peixe. Há quem tenha a regra dos almoços com carne ou peixe/ jantares à base de saladas, sopas e refeições leves. E há quem não tenha regra nenhuma e faça o que lhe apetece, o que pode ser óptimo, se os apetites forem diversificados, mas que não resulta muito bem se gostarmos mais de carne do que de peixe, ou mais de batatas fritas do que legumes.
Aqui no meu burgo, funciona uma cabula semanal que serve mais de guia do que de inspiração. Nessa cabula estão 12 categorias de alimentos essenciais (considerando que pode haver uma ou duas refeições que se escolhe pela lista de um restaurante). Por exemplo: temos a categoria dos moluscos (polvo ou lulas), a categoria da carne de aves (peru, frango ou pato), a categoria das leguminosas (feijão, grão, lentilhas ou ervilhas), a categoria do ómega 3 (atum ou salmão), a categoria dos ovos (tarte, tortilhas ou omeletas) e por aí fora…
E é assim que o meu tormento se torna menos tormentoso… e até joga a meu favor, funcionando como estímulo para procurar novas receitas e versões culinárias apetitosas... daquelas que agradem a gregos e troianos, se possível!


ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL TRIBUNA DE MACAU, a 17 de fevereiro de 2012


a receita é esta sobremesa: 

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