bifinhos de cebolada com ratatouille

Este é o artigo desta semana do Jornal. Reconheço que me apetecia mais continuar a escrever sobre certos alimentos, mas achei que devia ser demais e resolvi intercalar com mais uma das minhas reflexões.
O mais interessante deste artigo é a frase final, que escrevi de forma inconsciente mas que revela bem a minha forma de ver a alimentação.
Há uns tempos atrás eu diria que era uma receita de bifinhos acompanhada de ratatouille, mas no artigo escrevi que o ratatouille é que era acompanhado de bifinhos. Porque para mim, a carne e o peixe é que servem de acompanhamento, ou não fosse a sua parcela da roda alimentar de reduzida dimensão relativamente aos tubérculos e vegetais.
Aqui vai então a reflexão e a receita:


TEMOS OPÇÃO?
Muitas vezes me pergunto se temos opção, ou melhor, se determos ou não o controle da nossa alimentação? E raramente fico satisfeita com a resposta que encontro para mim própria.
Senão vejamos, há duas variáveis que definem o tipo de alimentação que fazemos: a qualidade e a quantidade do que comemos. Embora as duas me pareçam totalmente descontroladas nos dias de hoje, é bem certo que o controle da quantidade do que ingerimos ainda pode ser exercido por cada um de nós, colocando a mão por cima do prato quando nos apetece dizer «chega».
Já a qualidade do que comemos, escapa, infelizmente e quase sempre, ao nosso controle. Começando pelo facto de estarmos tão longe da origem e do percurso dos produtos que lhe perdemos completamente o rasto. Já ninguém sabe de onde vem o que comemos, ou melhor, como foi produzido, tratado, conservado e armazenado. As regras dos produtores são apenas estas: preço baixo com elevadas margens de lucro e o aspecto visual daquilo que enche as prateleiras dos supermercados.
Já certamente todos nos desiludimos ao chegar a casa com uma caixa de morangos vermelhos, grandes e «suculentos», e perdemos toda a vontade de os comer ao vê-los por dentro desbotados, desenxabidos, emborrachados e sem vigor. Vicissitudes dos tempos modernos. Tal como o exemplo das bananas, que para estarem nas prateleiras dos mercados o ano inteiro são apanhadas em fase prematura de desenvolvimento e crescem e amadurecem desligadas da árvore mãe e sem ver a luz do sol.
É por estas e por outras que têm surgido nos nossos mercados e supermercados os tais produtos alternativos: biológicos, ecológicos, caseiros, naturalistas, etc. e tal. Mais do que uma alternativa, esta é uma opção que podemos ou devemos fazer no dia-a-dia, uma forma consciente de dizer aos produtores que queremos mais qualidade naquilo que nos apresentam e que basta de sermos enganados…
Mas nós também temos que nos educar. Temos que estar mais atentos e conhecer melhor os ciclos da natureza: se as cerejas só dão no verão, porque teimar em comê-las a meio do Inverno?
Aqui fica uma receita de vegetais (ratatouille) que pode ser adaptada aos produtos da época, pois é bastante versátil e simples de executar. Deixo também um acompanhamento simples para este prato: bifinhos de cebolada.
BIFINHOS DE CEBOLADA COM RATATOUILLE

RATATOUILLE - Faça um refogado com cebola picada, alho, louro e pimento vermelho, verde e amarelo aos quadradinhos. Corte os legumes em rodelas finas (pode usar o cortador de batatas ás rodelas) e coloque-os em cima do refogado começando pelo tomate, cenoura, batata, beringela, curgete, cogumelos, etc. Tempere de sal e pimenta, coloque uns raminhos de coentros e regue com caldo quente de galinha ou vegetais. Tape e leve a cozinhar em lume brando até reduzir o caldo e apurar.
  BIFINHOS DE CEBOLADA - Faça um refogado de cebola laminada em rodelas, alho, louro e azeite. Quando a cebola estiver translúcida, coloque por cima fatias finíssimas de bife (mande cortar como fiambre). Tempere de pimenta preta e sal e deixe apenas apurar durante 5 a 10 minutos (não deixe ganhar liquido).


PUBLICADO EM: JORNAL TRIBUNA DE MACAU, a 10 de Setembro de 2010

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