castanhas e outros frutos secos

O artigo desta sexta-feira, foi sobre as oleaginosas, familia à qual pertencem as castanhas que estão na sua época, neste preciso momento.
As castanhas são uma das minhas goluseimas sazonais preferidas, pois relembram-me que estamos a chegar ao cume do Inverno, e que o Natal se aproxima. São também uma época em que recordo a «apanha da azeitona» e o abrir das pipas de vinho novo - a água-pé...
Gosto do seu sabor farinhento e adocicado e da sua combinação perfeita com a erva doce, que tem um aroma fantástico!!

AS OLEAGINOSAS E O INVERNO
Por vezes as oleaginosas são incluídas no grupo dos frutos secos, embora exista uma distinção entre eles, pois ao segundo grupo pertencem os frutos frescos depois de passarem pelo processo de desidratação, tais como as uvas, figos, pêssegos, etc. Quanto ao primeiro, nele podemos incluir as nozes, amêndoas, pinhões, castanha do Pára, avelãs, pistácios, e as castanhas.
As oleaginosas são sementes de Inverno, consumidas em época própria, quando o Outono está no seu auge e o Inverno se aproxima a cada dia que passa, com a chuva, o frio, e os dias cada vez mais curtos. Caracterizadas por serem muito calóricas e energéticas, as oleaginosas têm uma excelente composição de nutrientes essenciais, vitaminas e minerais importantes para o bom funcionamento do organismo (vitamina E, potássio, magnésio, cálcio, ferro, etc.); e são ricas nas chamadas gorduras de qualidade boa. Por isso, estes frutos têm um papel muito importante na prevenção de doenças cardiovasculares e cancerígenas, sobretudo através da presença de antioxidantes importantes (como o selénio da castanha do Pará). Contêm ainda uma boa dose de proteínas – sobretudo o pinhão, dai ser utilizado em múltiplos pratos vegetarianos; e fibras – sendo os mais ricos a avelã e o pistácio.
Mas atenção, não comece para aí a comer oleaginosas às mãos cheias, particularmente se tiver problemas de peso, pois são excessivamente calóricas e as doses recomendadas são, a título de exemplo, 2 a 3 nozes por dia.
E hoje, porque estamos na sua temporada e o São Martinho ainda anda por perto, seleccionei a castanha e deixo-vos algumas curiosidades sobre esta semente (o fruto é o ouriço sabiam?):
A castanha tem uma história longa na alimentação dos povos, tendo sido alimento dos mais pobres numa determinada época. Apesar de hoje em dia se multiplicarem as receitas onde a castanha pode acompanhar pratos principais ou servir de sobremesa, em tempos e castanha foi considerada um importante substituto do pão e da batata, em períodos de escassez. A isso se deve, o facto de ela ser uma admirável fonte energética, riquíssima em amido (para ser mais precisa, as castanhas tem o dobro do amido das batatas), e ter menos gordura que as suas primas oleaginosas…
Como fiquei indecisa entre duas receitas para acompanhamento, decidi que em vez de uma, desta vez vão duas receitas, pois não consegui decidir qual delas a melhor. Que sejam os leitores a desempatar.

PUBLICADO EM: JORNAL TRIBUNA DE MACAU, a 12 de Novembro de 2010

CASTANHAS SALTEADAS COM ERVA-DOCE
Coza as castanhas em água com sal, até estarem suficiente macias mão se desfazendo. Escorra e reserve.
Faça um refogado com cebola picadinha e azeite, acrescente as castanhas, tempere de erva-doce e pimenta e salteie durante alguns minutos até estarem envolvidas nos temperos e ligeiramente tostadas.



PURÉ DE CASTANHAS
Coza as castanhas em água com sal e uma pitada de erva-doce, devendo deixá-las bem macias. Escorra e deixe arrefecer.
Deite-as na máquina liquidificadora com 1 dl de leite e bata até obter um puré. Junte mais leite se necessário.
Entretanto, numa frigideira, ferva 3 a 4 dentes de alho picados em 4 a 5 colheres de sopa de azeite (cuidado para não queimar).
Junte ½ do azeite ao puré de castanha e bata novamente. Acrescente uma pitada de coentros picados e sirva regado com o restante azeite e alho.



 

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